A dança das estações, uma reflexão sobre a “Nossa Casa”

Terra é uma frágil bailarina, que rodopia pelo Universo. O palco dela é a Via-Láctea, espaço repleto de tantas outras esforçadas bailarinas. O Sol é um gigantesco holofote, enquanto a Lua se coloca como uma admiradora mais passiva, mas que nunca perde um único ensaio. São horas, dias e anos realizando o espetáculo das estações.

Com tanta tecnologia a serviço da humanidade, ainda não inventaram um recurso técnico capaz de instalar o bom senso entre os bilhões de espectadores. Sendo assim, essa tal bailarina por muitas vezes se entristece ao perceber que sua imensa platéia, fruto do seu próprio ventre, deprecia o espetáculo.

O desperdício, a fome, a violência entre os homens, a desigualdade de todos os tipos de recursos, a ganância econômica, a política corrompida e a exclusão são problemas reais presentes nos bastidores. Mesmo assim, desapontando as previsões, equilibrista, com espírito saltimbanco, nossa bailarina não desiste. Prossegue em piruetas, mostrando que o show não pode parar.

Num círculo vicioso, cada um dos seus atos simboliza um novo começo, quatro novas oportunidades para quem quiser vivenciar novos momentos da vida.

O tempo no verão é quente, a luminosidade não teme a escuridão. À beira-mar, a brisa convida para um leve passeio, descomprometido, desagasalhado, com um caminhar tão delicado, como se a gravidade não existisse.

Caem as folhas no outono. O dia e a noite agora preguiçosos reconciliam-se, aceitam a paz, dividem-se precisamente por majestosos momentos.

O tempo é frio no inverno e a noite abocanha o dia, saciando-se de luz, alimentando-se de novas expectativas, com a confiança de quem acredita na vitória, num triunfo aclamado.

Símbolos da perseverança, os frutos brotam na primavera. Os campos novamente floridos atestam que os enganos, consequências de uma longa caminhada, podem ser desfeitos, anulados.

Frágil e intrépida bailarina, que executa com precisão a sua dança-de-roda. Neste exato instante, ainda carrega a esperança de que um dia, a humanidade valorize o seu grandioso espetáculo enquanto ainda temos tempo.

 

Este texto é uma colaboração de Enio dos Anjos: Geógrafo, Especialista em Gestão Ambiental e Mestre em Educação e Formação de Professores, Professor de Geografia, Geopolítica e Geoatualidades.

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