A ONU, a sustentabilidade e os desafios de 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento

A partir de 1957, a Organização das Nações Unidas, sediada na cidade de Nova York, EUA, passou a escolher diferentes temas para criar os “Anos Internacionais”. Essa importante organização mundial tenta, da melhor maneira possível, minimizar alguns dos mais preocupantes problemas planetários, com a finalidade de despertar na humanidade, reflexões e atitudes positivas em nome de um mundo melhor. Infelizmente, problemas não faltam, o que nos faz pensar que necessitamos urgentemente rever as nossas atitudes, antes que os recursos planetários sejam escassos a ponto de influenciar negativamente na continuidade da vida pela superfície terrestre.

Em 2012, após a realização da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a “Rio + 20”, sediada na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em território brasileiro, os chefes de Estado se comprometeram em ampliar e difundir a ideologia da sustentabilidade para as próximas décadas. Somos inquilinos, num planeta com uma imensa variedade de recursos naturais não renováveis, importantíssimos para as questões ecológica e econômica. Precisamos colocar em prática um estágio de progresso, que atenda as nossas necessidades, mas que não esgote a possibilidade de sobrevivência das gerações futuras.

A declaração de 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento valoriza a importância do turismo internacional com o objetivo de colocar em prática uma melhor compreensão entre os povos, levando a espécie humana a uma maior conscientização a respeito dos riquíssimos e variados patrimônios naturais distribuídos pelos territórios das diversas civilizações. Tal declaração fortalece a prática de atividades turísticas baseadas em três importantes pilares: o ambiental ou natural, o econômico ou financeiro e o social ou cultural.

A fórmula para o sucesso da iniciativa que defende a prática de um turismo comprometido com a sustentabilidade até que é bem simples: as riquezas naturais vão atrair os turistas, que por sua vez irão fazer circular um determinado montante de dinheiro, que se administrado de forma séria e correta promoverá um gigantesco retorno financeiro para as comunidades locais, que por sua vez terão a oportunidade de mostrar ao mundo inteiro as suas particularidades culturais. É um ciclo que agrega os aspectos ambiental, financeiro e social.

Vale lembrar que o Brasil é referência mundial quando pensamos em destinos turísticos que tenham o meio ambiente como atrativo para milhões de pessoas que anualmente investem no ecoturismo. A Amazônia, o Pantanal Matogrossense, o nosso vasto litoral e uma infinidade de Parques Nacionais transformam o país num destino praticamente irrecusável. Chegou a hora quem sabe, das autoridades brasileiras assumirem de uma vez por todas o compromisso da preservação e da recuperação dos espaços naturais nacionais que há um bom tempo já se encontram com elevados índices de destruição e descaso. Infelizmente, biomas como a Mata Atlântica e o Cerrado são classificados como “hot spots”, espaços naturais que convivem com elevados índices de degradação da biodiversidade local e carecem de uma urgente recuperação.

Sendo assim, o principal desafio da ONU em 2017, tendo como base um turismo que caminhe lado a lado com a sustentabilidade, será cobrar dos líderes mundiais um respeito maior com a causa ambiental, pelo menos agora, com a desculpa de que dinheiro “nasce e floresce” em árvores, sim, senhor!

 

Este texto é uma colaboração de Enio dos Anjos: Geógrafo, Especialista em Gestão Ambiental e Mestre em Educação e Formação de Professores, Professor de Geografia, Geopolítica e Geoatualidades.

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