Assim caminha a humanidade… Reflexões sobre o contexto ecológico planetário

 

“Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? (...)”.

“Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós (...)”.

“Uma porção de terra, para ele (o homem branco), tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho (...)”.

“Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. (...) Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto (...)”.

“Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra(...)”.

Inicio a minha reflexão com alguns fragmentos baseados num dos mais belos documentos sobre a relação homem – natureza. Trata-se de uma carta escrita em 1854, pelo chefe Seatle ao presidente dos EUA, Franklin Pierce, quando este propôs comprar as terras de sua tribo, concedendo-lhe uma outra “reserva”.

Alguns séculos já se passaram desde que o documento foi elaborado, deixando para trás uma reduzida quantidade de indígenas que continuam sendo dizimados pelas mais variadas regiões planetárias. Entretanto, a ganância do homem branco, agora modernizado, vem sendo ampliada desde então. A natureza ainda é vista como mercadoria, onde os ecossistemas, explorados intensamente, possam oferecer uma gama de produtos, transformados em capital num curto espaço de tempo.

No século passado, por volta da década de 60, houve uma grande ascensão industrial nos países desenvolvidos. A poluição das indústrias destruía tudo a sua volta, desrespeitando as fronteiras nacionais: oceanos, mares, rios e lagos, tudo era envenenado. Grandes florestas desapareciam, causando a extinção de várias espécies animais e vegetais, e o ar dos grandes centros urbanos continha uma série de impurezas.

Profissionais das mais variadas áreas denunciavam o descaso com o meio ambiente e a sua progressiva destruição. Priorizavam-se o progresso e o lucro, proporcionados pela exploração desenfreada da natureza.

A partir desse panorama caótico, quatro grandes conferências ambientais foram realizadas – Estocolmo (1972), Rio de Janeiro (1992), Johannesburgo (2002) e Rio de Janeiro (2012) -, com o intuito de mantermos preservados os nossos ecossistemas, bem como, as mais significativas reservas de recursos naturais e biodiversidade que se encontram espalhadas pelas mais distantes e remotas regiões planetárias. Aposta-se na conscientização dos habitantes do nosso planeta, na formação de agentes multiplicadores da informação, na tentativa de implantarmos uma nova era comprometida com a sustentabilidade.

Os avanços sociais, econômicos e tecnológicos não precisam estar atrelados com a idéia da degradação ambiental. Devemos apostar na busca de alternativas que não ampliem os impactos ambientais que já foram promovidos em larga escala, principalmente a partir da Revolução Industrial. Clamemos pelo esclarecimento e absorção de novos valores que respeitem o meio ambiente para as futuras gerações.

Que surja um novo “homem”! Comprometido com o seu semelhante, solidário aos outros tantos seres que sobrevivem num mesmo e grandioso organismo vivo, que infelizmente vem apresentando os sintomas característicos do descaso e da ganância, proporcionados pela nossa falta de bom senso.

Que planeta realmente queremos daqui para frente?

Quais serão as mais novas espécies que irão engrossar a lista de seres extintos?

São questionamentos complexos de serem respondidos. Entretanto, podem-se “rascunhar” duas opções como resposta: que se estabeleçam novos valores e padrões de sobrevivência comprometidos com a possibilidade de recuperação e minimização dos estragos existentes, ou que encontremos um novo planeta e, dessa vez, sejamos mais espertos, o que aliás é uma qualidade bastante peculiar da nossa espécie, nem sempre colocada em prática da maneira como realmente deveria ser.

Texto de autoria de Enio dos Anjos: Geógrafo, Especialista em Gestão Ambiental e Mestre em Educação e Formação de Professores, Professor de Geografia, Geopolítica e Geoatualidades.

Comentários

Comentários

Deixe seu comentário