Conexão cultural: Vivência na aldeia indígena

Peruíbe é uma cidade encantadora, repleta de belezas naturais, com uma cultura eclética que abriga os mais diversos tipos de povos e origens.

A Aldeia dos Índios Peroibe, já existia desde muito antes da chegada de Martin Afonso de Souza. Seu principal Cacique era conhecido por Piriri Goa Ob Yg e a Aldeia situava-se no Tapiarama (Tapui-Rama), região das Aldeias ou Pátria dos Tapuias.

Para quem imagina que a cidade tem como atrações apenas praias e cachoeiras, está muito enganado. Em locais mais afastados da cidade, a cultura é rica e pode se tornar uma incrível e transformadora experiência de vida.

Com uma mistura exótica e rara, cercada por uma mata de restinga, serra do mar e a mata atlântica, está localizada a área indígena Piaçaguera. Esta área já foi habitada anteriormente por outros indígenas, desde a época de José de Anchieta. Na década de 40, a aldeia que estava situada nesta região era conhecida como Aldeia São João Batista.

Recentemente nós do Soul Peruíbe conhecemos um projeto muito interessante, que visa aproximar moradores e turistas da cidade de Peruíbe da comunidade indígena, com o projeto Vivência na Aldeia. O objetivo do Vivência na Aldeia é baseado em três pilares: aprender, inspirar e auxiliar a comunidade.

Por meio do projeto, visitamos a aldeia Aldeia Awa Porungawa Dju. Ela possui apenas 1 ano de vida e 8 meses de implantação do projeto de vivencia na aldeia. Ao redor da Awa Porungawa, existem outras comunidades que vivem na região indígena Piaçaguera (2873 hectares).

A aldeia Awa Porungawa Dju nasceu de um sonho, como eles mesmos definem, um lugar para se viver em harmonia, no qual seus moradores são guardiões da cultura indígena tupi guarani e da terra em que habitam.

Formada inicialmente por indígenas que vieram da aldeia Bananal, as tribos atualmente se organizam em 8 aldeamentos, cada um com sua estrutura individual, organização e modo de se apresentarem, porém todos preservam as mesmas tradições e culturas indígenas.

Awa Porungawa Dju traduzido do Tupi Guarani para o Português significa “o homem da maraca sagrada”. Esta aldeia é liderada pelo cacique Awa Guayra Ruitxa (cacique Arildo) e o líder espiritual da aldeia é o Pajé Guaira.

A aldeia leva o nome de um cacique que obteve um papel muito importante na reconquista das terras indígenas Piaçaguera, Awa Porungawa Dju. Ele faleceu há cerca de 1 ano e foram seus filhos, o Cacique Awa Guayra Ruitxa e seu irmão Dhevan Kawin quem lutaram por realizarem o sonho de seu pai de retomarem o local e estabelecerem uma nova aldeia, para preservarem toda a cultura de seu povo.

Conheça mais sobre a cultura indígena em nossa coluna especial.

 

Apesar de ainda enfrentarem dificuldades no apoio e divulgação, eles seguem lutando por seu espaço no turismo em Peruíbe. O objetivo da aldeia em fomentar este tipo de atividade turística é o resgate e valorização da cultura indígena, além do incentivo às tradições de seus ancestrais.

A Vivência na Aldeia é intensa e rica, envolvendo os participantes em uma experiência única de sensibilização e conhecimento da cultura indígena.

Os eventos da Vivência são organizados por indígenas e não indígenas, dentro de terras indígenas, visando troca de sabedorias, culturas indígenas, permacultura, bioconstrução e educação ambiental. A permacultura é um dos temas abordados durante o evento, no qual ela oferece as ferramentas para o planejamento, a implantação e a manutenção de ecossistemas cultivados no campo e nas cidades, de modo a que eles tenham a diversidade, a estabilidade e a resistência dos ecossistemas naturais, de modo que o alimento saudável, habitação e energia devem ser providos de forma sustentável para criar culturas permanentes.

Dentro do conteúdo e programação da Vivência, estão inclusas atividades dos mais diversos gêneros, como recepção indígena com os líderes da aldeia e boas vindas com apresentação de canto e dança, introdução a permacultura e noções básicas de bioconstrução, atividades lúdicas de educação ambiental, super adobe (técnica de bioconstrução que não necessita de mão-de-obra especializada), pau-a-pique, técnicas de barreamento, reboco natural, pintura com terra, plantio de mudas, conversa ao pé do fogo, artesanato, atividades com arco e flecha, dentre outras.

Além de toda esta programação dentro da Vivência, eles também oferecem cursos como Fitoterapia indígena e medicinas da floresta, que são oferecidos por membros da aldeia como Xãmas e o Pajé, além de biólogo e psicóloga. Os eventos realizados na aldeia são super concorridos e as inscrições geralmente se encerram rapidamente por conta da alta procura. Vale a pena sempre acompanhar o site e mídias sociais do projeto para saber das próximas datas e eventos.

Dentro da aldeia eles também possuem produtos feitos pelos próprios indígenas, para comercialização como artesanatos, chapéus, adereços, garrafada de ervas, além de outros tipos de objetos, acessórios e artefatos.

Para os interessados em conhecerem a aldeia, as visitas podem ser realizadas em qualquer horário aos finais de semana, porém para participar das atividades é necessário um agendamento prévio, pois muitos deles possuem uma quantidade máxima de pessoas por atividade, para um bom desenvolvimento das mesmas.

Nós do Soul Peruíbe (José, Karina e Eliseu), agradecemos muito pelo carinho e recepção que tivemos na aldeia por todos os seus membros, mas em especial pelo Cacique Arildo, seu irmão Dhevan, Pajé Guaira e os organizadores da Vivência Josimas e Andreza.

Esperamos voltar mais vezes e revivermos esta experiência em breve.

É possível chegar na Aldeia de carro, ônibus rodoviário intermunicipal ou interestadual.
Mais informações no site da Vivência: www.vivencianaaldeia.org

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