“Será que em cada rodoviária tem um casal apaixonado se despedindo?”

“Será que em cada rodoviária tem um casal apaixonado se despedindo?”, disse enquanto olhava pra dentro daqueles olhos meio tortos, o direito mais aberto e o esquerdo mais fechado – um delicioso charme, afinal. “Acho que sim”, respondeu a voz convicta de que, pelo menos naquela, havia com certeza.

Entendia de Física e aceitava que a relatividade do tempo seria tão providencial quanto implacável: os dois meses que antes seriam curtos dias na pressa da tarefa, agora seriam longos anos na pressa da saudade. Peruíbe, que sempre ficou a 590 km de tantos outros lugares, agora também tinha sua distância calculada a partir daquele sorriso que dava tchau por trás de um vidro mudo. A velocidade, afinal, nada importa nessa equação que é mesmo nem um pouco exata.

Mas a estrada vai do breu à luz total conforme gira a roda do ônibus, até que se percebe que isso de estrada cai mesmo muito bem em metáfora também, que isso de breu à luz traz uma esperança tão singela e que tudo gira mesmo é na Roda da Fortuna de um tarot da vida qualquer, por fim.

Vai descobrir que o Atlântico nem é tão grande assim e que os litorais talvez sejam tão próximos quanto os corações...

Esse texto é uma colaboração de Flor. Flor é filha da Terra da Eterna Juventude e nunca viu ETs, mas jura para todo mundo que sua cidade é um santuário deles. Escreve de sua alma para Soul Peruíbe aos domingos.

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