Viagem na Maionese

 

Supercalifragilisticoespialidoso. Sete portas do céu e sete portas do inferno também. Urano em Escorpião. Caio Fernando Abreu e mais outros loucos – incluindo eu. Parece nonsense, mas é só a minha peculiar percepção de que a capacidade de absorver referências mil é tão inesgotável quanto as fontes de todas elas.

E isso aí começa quando mais cedo eu saí, sem rumo ou expectativa, a ler algumas linhas despretensiosas ou pretensiosas de alguém sem nome ou de renome: precisava era ativar meu cérebro, que andava mesmo cansado do descanso, e para isso qualquer coisa serviria.

Por isso eu saí tropeçando em algumas avançadas ideias sobre a vida e outras menos rebuscadas, porém igualmente válidas. E talvez eu devesse chamar de “experiências”, mas, como não fui eu quem as viveu, ficam sendo “ideias sobre a vida”, mesmo, e eu acho que está bom assim. Acontece que a partir daí eu saí flutuando e me apegando a qualquer palavra ou ideia que me conduzisse a alguma outra coisa, sem pudor ou impedimento. Então, levada pelas mais inusitadas associações eu li contos, crônicas, mensagens de whatsapp e memes da web, até que me notei fazendo isso e investi ainda mais no jogo, que se resumia basicamente, em ficar ali, me permitindo não apenas o deslumbre da percepção de uma enxurrada de processos mentais tão organizadamente desencadeados, como também a absorção máxima de todo e qualquer conhecimento útil ou inútil que fosse resultante disso, sem qualquer filtro. E como a mim parece importante, vale repetir que foi assim mesmo: sem qualquer filtro.

Fato é que eu saí dessa experiência – agora sim – com a sensação de ter contemplado um polvo cheio de tentáculos em seus tentáculos: cada coisa nova me levava a uma coisa nova que me levava a uma coisa nova que me levava a uma coisa nova que me levava a uma coisa nova ad infinitum. O prazer nisso tudo, afinal, veio mesmo da contemplação de uma interminável curiosidade proveniente de um Mercúrio em Gêmeos, ou, trocando em miúdos, um interesse frenético por (in)utilidades todas.

Em dias mais importantes e com horas mais cronometradas há quem chame “procrastinação”, mas eu ainda prefiro o insubstituível: “viagem na maionese”.

 

Esse texto é uma colaboração de Flor. Flor é filha da Terra da Eterna Juventude e nunca viu ETs, mas jura para todo mundo que sua cidade é um santuário deles. Escreve de sua alma para Soul Peruíbe aos domingos.

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